Tipos de Precatório: Alimentar, comum, trabalhista ou tributário. Qual é o seu?

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Precatório previdenciário, precatório alimentar, precatório comum, RPV, atrasados do INSS, retroativo. Se você já pesquisou sobre o assunto, provavelmente encontrou esses termos usados quase como sinônimos, quando na verdade respondem a três perguntas completamente diferentes. 

Nenhum precatório tem só um nome. Ele tem um nome para a natureza da dívida, outro para a origem do processo e, dependendo do valor, nem se chama precatório, vira RPV. Entender essas três camadas é o que resolve a confusão de uma vez.

As três camadas que formam o nome de um precatório

Todo precatório pode ser descrito por três eixos, e é a combinação deles que gera a variedade de nomenclaturas: 

Natureza da dívida: alimentar ou comum. Isso define a ordem de pagamento. Origem do processo: previdenciária, trabalhista, tributária, cível, entre outras. Isso define qual Justiça julgou e qual ente paga. Valor: acima ou abaixo do teto legal. Isso define se o pagamento sai como precatório ou como RPV. 

Um mesmo crédito pode, ao mesmo tempo, ser previdenciário (origem), alimentar (natureza) e RPV (valor). Não são categorias concorrentes, são camadas sobrepostas.

Precatório previdenciário: o que é e como ele surge

O precatório previdenciário nasce de uma condenação contra o INSS (ou, mais raramente, contra regimes próprios de previdência estadual ou municipal). Ele surge quando a Justiça reconhece que o segurado tinha direito a um benefício negado, concedido com valor errado, ou pago com atraso. 

As origens mais comuns são: revisão de aposentadoria com cálculo incorreto, concessão de benefício por incapacidade após perícia indeferida administrativamente, reconhecimento de tempo rural ou especial não computado, e correção de valores pagos a menor por anos seguidos. 

Aqui está o ponto que menos gente sabe: o precatório previdenciário não é uma categoria separada da alimentar. Ele é, por definição constitucional, um subtipo de precatório alimentar. O artigo 100, parágrafo 1º, da Constituição Federal inclui expressamente benefícios previdenciários entre as verbas de natureza alimentar, junto com salários e pensões. 

Na prática, isso significa que o precatório previdenciário entra na fila prioritária de pagamento junto com os demais créditos alimentares, à frente de precatórios de natureza comum.

Precatório comum: o que fica de fora da prioridade

O precatório comum reúne tudo que não tem natureza alimentar. Indenizações por desapropriação, dívidas contratuais do poder público, ressarcimentos diversos. Ele segue a ordem cronológica geral de pagamento, sem a prioridade que a Constituição dá aos créditos alimentares. 

É o tipo que mais demora, exatamente porque entra na ordem comum e não na faixa prioritária.

Precatório alimentar: por que o nome é maior do que parece

Alimentar aqui não tem relação com comida. O termo vem do direito de família e significa tudo que sustenta a subsistência de quem recebe: salário, aposentadoria, pensão, indenização por morte ou invalidez. 

Isso explica por que previdenciário e alimentar aparecem tão colados um ao outro nas buscas. Todo precatório previdenciário é alimentar, mas nem todo precatório alimentar é previdenciário (uma indenização trabalhista por acidente de trabalho, por exemplo, também é alimentar sem ser previdenciária). 

Precatório trabalhista: outra origem, mesma lógica de prioridade

O precatório trabalhista nasce de condenações na Justiça do Trabalho contra entes públicos, normalmente envolvendo verbas rescisórias, diferenças salariais de servidores celetistas ou terceirizados, e reconhecimento de vínculo empregatício não pago corretamente. 

Assim como o previdenciário, o trabalhista quase sempre tem natureza alimentar, porque envolve remuneração. A diferença está na origem processual: passa pelos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), não pelos Tribunais Regionais Federais (TRFs). 

Precatório tributário: quando o Estado devolve o que cobrou a mais

O precatório tributário tem origem diferente de todos os anteriores. Ele nasce de ações de repetição de indébito, quando o contribuinte prova que pagou um tributo indevido ou a maior e pede a devolução. 

Diferente do previdenciário e do trabalhista, o precatório tributário normalmente tem natureza comum, não alimentar, porque não se trata de remuneração ou subsistência. Isso o coloca na ordem cronológica geral, sem a prioridade dos créditos alimentares.

RPV: não é um quarto tipo, é uma faixa de valor

Aqui está a confusão mais comum de todas: RPV não é uma categoria de natureza como alimentar ou comum, nem uma origem como previdenciária ou trabalhista. É uma faixa de valor. 

Quando o total devido fica dentro do teto definido por lei para o ente devedor (60 salários mínimos para a União e o INSS, valores diferentes para estados e municípios), o pagamento sai como Requisição de Pequeno Valor em vez de precatório, com trâmite mais rápido e sem entrar na ordem cronológica de precatórios. 

Ou seja, existe RPV previdenciária, RPV trabalhista, RPV tributária. A palavra RPV descreve o tamanho do crédito, não a origem dele. 

Atrasados do INSS e retroativo do INSS: os nomes que o Google conhece melhor

Ninguém pesquisa “precatório previdenciário de natureza alimentar” no dia a dia. As pessoas pesquisam atrasados do INSS ou retroativo do INSS, e ambos os termos descrevem, na prática, o mesmo fenômeno: o valor que o segurado deveria ter recebido desde a data em que o direito nasceu (o chamado termo inicial) até a efetiva concessão ou correção do benefício. 

Esse valor acumulado é justamente o precatório previdenciário, ou a RPV previdenciária, dependendo do montante. Os nomes populares e os nomes técnicos apontam para a mesma coisa, só que em registros de linguagem diferentes.

Por que entender essas camadas muda o que você espera do pagamento

Saber em qual combinação seu crédito se encaixa (natureza, origem e valor) explica antecipadamente o comportamento do pagamento: se entra na prioridade alimentar, se segue a ordem cronológica comum, e se sai como RPV, mais rápida, ou como precatório, sujeito ao orçamento anual do ente devedor. 

Créditos previdenciários e trabalhistas dentro do teto de RPV tendem a ser os mais rápidos de receber. Créditos tributários de natureza comum e precatórios acima do teto tendem a ser os que mais exigem paciência com o cronograma oficial. 

Já identificou o tipo do seu crédito

Se você já sabe se o seu crédito é uma RPV previdenciária, um precatório alimentar ou um precatório comum, o próximo passo natural é decidir entre esperar o cronograma oficial ou antecipar o valor via cessão de direitos. Fale com nossa equipe e envie o número do seu processo para receber uma avaliação personalizada, sem custo inicial.